sábado, 5 de setembro de 2015

2005 - A FARSA DO JUIZ LADRÃO Parte 2



(OBRA DE FICÇÃO BASEADA EM REALIDADE INCOMPREENSÍVEL)


E naquele tempo, como a vaca caminhasse para o brejo, o cidadão iraniano da MSI provavelmente tenha convocado um grupo de brasileiros com doutos saberes em sacanagem, como esses que criam novos impostos inconstitucionais e bolam os esquemas de propinas.  O objetivo do grupo de estudo seria: encontrar um meio de dar novamente ao Corinthians chances de ser campeão de uma disputa, cujo título já pertencia, virtualmente, ao Internacional.

A ideia de melar o campeonato e começar tudo de novo foi abandonada, porque o ano estava acabando e não haveria tantas datas disponíveis; mas era possível anular apenas algumas partidas, escolhidas a dedo.  Usariam o próprio regulamento da CBF para viabilizar a mutreta, alegando que houvera manipulação de resultados em jogos em que o Corinthians perdeu pontos..

O passo seguinte seria identificar um árbitro com problemas éticos e financeiros, disposto a aceitar uma boa grana, para assumir um crime que não cometera.  Um investigador e uma pseudo-investigação de loterias clandestinas, das quais ninguém nunca ouvira falar, montaria o restante do cenário.

Edílson Pereira de Carvalho, o árbitro escolhido para o serviço sujo, faria a confissão pública de que manipulara resultados da partida em que o Santos venceu o Corinthians por 4 a 2 e da partida em que o São Paulo venceu o Corinthians por 3 a 2; mas por ser atrapalhado genético, ou por não ter decorado direito o script, declarou aos repórteres que "tinha sido contratado para ajudar o Corinthians a vencer, mas que não conseguiu".

Ora, em qualquer tribunal do mundo, o árbitro Adilson Carvalho seria considerado testemunha não confiável.  Um enganador, um falsário, um grande mentiroso e caberia a pergunta:
Se ele confessa ter agido desonestamente antes, quem garante que age honestamente, agora, quando afirma ter cometido o "crime"?
Mas, este raciocínio parecia não interessar a ninguém.

O regulamento da competição deixava claro que apenas dizer que houve manipulação não bastava, para que um jogo fosse anulado e remarcado a interferência tinha que ser, de fato, comprovada.

A CBF convocou, então, um grupo de notáveis para buscar no vídeo-tape indícios de que o "juiz ladrão" manipulara o resultado dos jogos.  Mas, que indícios de manipulação estariam procurando, se Edílson afirmou, claramente, que tentou ajudar o Corinthians a vencer; mas não conseguiu?
Aliás, manipulação de resultado seria basear-se nas declarações de alguém sem credibilidade para anular, especificamente, jogos em que o Corinthians não fez nenhum ponto.

Por uma dessas coincidências que nunca ocorrem na vida do pobre, o mais notável entre os notáveis que iriam procurar chifres em cabeça de lebre era Arnaldo César Coelho, árbitro de final de Copa do Mundo e, pasmem, funcionário da rede de TV que detinha o direito de transmissão dos jogos.  Mais do que isso, Arnaldo é proprietário da TV Rio-Sul, que retransmite a programação da Globo e que seria beneficiada com a anulação.

 O conflito de interesses era evidente.  Por outro lado, é possível interpretar que, neste caso, os interesses não eram conflitantes; eram convergentes.  Todos ganhariam com a remarcação dos clássicos paulistas.  O Corinthians teria chance de recuperar os pontos perdidos; a MSI continuaria usado a vitrine do parceiro, para expor seus atletas, agora em jogos valendo título;  A Globo seria beneficiária da promoção pague dois jogos e leve quatro; Arnaldo ganharia em dobro: como comentarista dos jogos remarcados e como proprietário da TV Rio Sul, afiliada da Globo.

Os jogos foram anulados e o Corinthians que, repito, havia feito zero ponto nas duas partidas, jogaria contra adversários já de férias e sem nenhum objetivo ou motivação.  E teve alguém que movesse uma palha para tentar enxergar sinais de maracutaia?  Ninguém, meu camarada.  Para o azar do Inter de Porto Alegre, em 2005 até o presidente do Brasil era corintiano.

Para finalizar a história, o Corinthians amealhou mais quatro pontos na tabela de classificação, ultrapassou o Internacional e lhe tomou o título do Campeonato Brasileiro de 2005.

Tempos depois viria à tona que a MSI, parceira que emprestava jogadores ao Corinthians, pertencia a um dos chefões da máfia russa.   Mas isto não quer dizer nada.  Ou quer?...

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