sábado, 14 de maio de 2016

DO FUNDO QUE NÃO TEM FRENTE


AS MULHERES E O NARRADOR DE FUTEBOL.


Era um tempo em que o Brasil ainda inspirava respeito como time de futebol.  Marcos, Cafú, Roberto Carlos, Rivaldo, Ronaldo... Apenas para citar alguns ícones do time pentacampeão mundial.
As mulheres da casa - que só assistem a jogo de futebol em época de copa do mundo - achavam tudo muito engraçado.  Riam das quedas dos jogadores como se rissem das vídeo-cacetadas do Faustão.

Não faziam silêncio para ouvir a narração do Galvão Bueno, até porque, o narrador da Globo, assim como qualquer narrador do país, falava uma língua totalmente desconhecida para elas.  Zagueiro, tiro de meta, escanteio, arremesso lateral, cruzamento, travessão, linha burra.
Pelas cabecinhas das senhoras e senhoritas deveria passar uma série de perguntas.
- Como é que um jogador pode fazer falta, se ele está no campo, jogando?  O jogador que se machucou e não pôde jogar, sim, possivelmente fará falta.
- A bola entrou no gol, entre o goleiro e a trave?  Mas, quando é que a bola entra no gol, sem ser entre o goleiro e a trave?  Ah! Já sei.  Quando o goleiro, por algum motivo, está longe do gol.
- Pera aí!  A bola saiu pela linha de fundo?  Então essa joça tem fundo?  E para que serve o fundo do campo de futebol?

A VERDADEIRA LINHA BURRA.

De fato, entre as diversas expressões que fazem parte do paradigma dos narradores, "fundo de campo" é uma das que causa maior estranheza.
Geometricamente, o campo de jogo é um quadrilátero demarcado com linhas brancas sobre a grama. Como o quadrilátero é formado por quatro lados, isto implica em que a bola, quando sair do campo, o fará por uma das quatro linhas laterais.  Ou seja: a bola só sai de campo pela lateral.

Obviamente, o campo de jogo é um terreno retangular - e terreno tem fundo.  Ocorre que fundo de terreno não é figura geométrica, é posição relativa. Terrenos tem frente, fundo (o lado oposto à frente) e laterais - que ligam a frente ao fundo. Em outras palavras, para que o campo de futebol tivesse linha de fundo, seria necessário que tivesse linha de frente.  Daí a dificuldade de entender a existência do campo com duas linhas de fundo, opostas entre si, sem nenhuma linha de frente.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

O TODO PODEROSO NO JOGO DE BOLA


DEUS NÃO APITA JOGO.

Num jogo de um time profissional da Série-A do Campeonato Brasileiro - com histórico de muitos títulos nacionais, continentais e mundiais - contra o time da Polícia Militar do Estado do Acre, quem você acha que Deus ajudaria?  O time amador do Acre, certo?
Se você se considera cristão, não pode ter dúvida quanto a isto. Jesus deixou claro nas bem-aventuranças, que Deus está sempre propenso a ajudar o menos favorecido, até porque, se Deus ajudasse clube grande a vencer clube pequeno, estaria plagiando o comportamento dos árbitros de futebol.

A verdade é que Deus não ajuda time nenhum.  O Onipotente tem mais o que fazer.  No universo há um incomensurável número de bolas, girando em equilíbrio.  São bolas de rochas, de gases, de fogo, de gelo, em uma infinita queda de braço entre duas forças tão magníficas quanto estranhas: a centrífuga e a gravidade.  Deus é o responsável pelo equilíbrio do universo.  E é um trabalho sem folga, posto que, não há domingo, feriado ou dia santo em que planetas, estrelas, constelações e galáxias parem de girar.  É difícil imaginar que Deus deixaria seus afazeres para assistir a uma partida específica de futebol e ajudar um time específico. de um jogador específico.

É por isso que considero um desrespeito quando vejo jogadores de polpudos salários ajoelharem-se e agradecerem aos céus pelos gols marcados, como se Deus não tivesse nada mais importante a fazer do que servir de guia para os pés tortos de boleiros medíocres.

JUSTIÇA É QUALIDADE DIVINA.

Tenho enorme dificuldade de entender como alguém em pleno gozo de suas faculdades mentais pode admitir que Deus interfere em resultado de jogo de futebol.  Se Deus ajudasse um time a vencer, estaria decretando a derrota, inapelável, do adversário.  Por mais que este se esforçasse, não haveria como reverter o desejo do Todo Poderoso. 
Ao interferir no placar do jogo em benefício do carola "apadrinhado", Deus prejudicaria o time adversário e estaria sendo parcial, faccioso e injusto - condições que não combinam com os atributos de Deus.

DO MEDO AO DESACATO

Você pode não concordar com o que digo; mas sua discordância não é fruto da razão, da conclusão lógica, do raciocínio elaborado, é consequência pura e simples do medo que tem de pensar.  Medo injustificável, diga-se de passagem.

Deus não botaria um cérebro na sua cabeça se não quisesse que você o usasse livremente.  Ter cérebro e negar-se a pensar é como ter pernas sadias e negar-se a andar ou ter olhos sadios e negar-se a enxergar. É inutilizar a ferramenta que Deus pôs à sua disposição, é desacatar o desejo do Criador.

O SURREALISMO ENTRA EM CAMPO

O medo de pensar leva situações surrealistas para dentro do campo de futebol.  Lembro de ter assistido a uma disputa de pênaltis em que ou o batedor, ou o goleiro, agradecia a Deus pelo gol, ou pela defesa, conforme a bola entrasse, ou não.  Se tando o jogador que se propõe a chutar, quanto o jogador que se propõe a defender solicitam ajuda divina, Deus ficaria numa sinuca de bico ou, ironicamente, entre a cruz e a espada.  Talvez neste caso o melhor seria voltar a Grécia antiga e acrescentar mais dois deuses ao Olimpo: o Deus do batedor de pênalti e o deus do goleiro e aí teríamos, uma disputa entre deuses, como ocorre, muitas vezes, na mitologia grega.

Creio que não é tão difícil concluir que, se o sucesso ou insucesso do batedor e do goleiro dependem da vontade de Deus, então a disputa que se vê no campo é uma farsa, um jogo de cartas marcadas com resultado pré-determinado, uma grande falcatrua com a participação da divindade.  E não há nada mais surreal do que um crente admitir que Deus participa de maracutaias.

A DIVINA "PEGADINHA" DA COPA DO MUNDO.

Na Copa do Mundo de 2014 o Seleção Brasileira era repleta de beatos, carolas e rezadores avulsos, todos agradecidos pela "divina ajuda" recebida, na disputa de penalidades contra o Chile.  O que eles não sabiam é que, pouco depois, sofreriam a mais horrenda derrota já imposta a uma Seleção Brasileira: sete a um para a Alemanha.  Imaginando que Deus realmente tivesse ajudado o Brasil a passar pelo Chile, teria o Senhor preparado uma enorme armadilha, uma "pegadinha" das mais humilhantes.  E não há nada nas escrituras que indique que Deus se presta a esse tipo de coisa.







sexta-feira, 6 de maio de 2016

O MANDAMENTO DE SOLERA X O GATO DE SCHRÖDINGER


O MANDAMENTO DO SOLERA


Houve uma época em que repórteres, narradores e comentaristas esportivos davam o nome de "desconto" ao tempo extra, jogado no final das partidas de futebol.  Não havia discussão a respeito nem havia quem questionasse a propriedade ou a impropriedade do termo "desconto".

Esta situação permaneceu por longo tempo, até que o narrador da Band, Fernando Solera, apareceu com a novidade: "Não pode ser desconto porque o árbitro não diminui o tempo; tem que ser acréscimo, porque o árbitro acrescenta tempo".
Estava criado o primeiro e único mandamento da lei do Solera.
Como se fosse um bando de papagaios de pirata, todo pessoal de rádio e TV passou a falar em acréscimo.  E logo passaram a usar a expressão "acréscimos", provavelmente considerando que cada segundo acrescentado era uma "unidade de acréscimo".  

A INVENÇÃO DA PLACA.

Eis uma questão que não diz respeito às coisas do futebol.  Só existe porque a FIFA, para manter vivos o suspense e a tensão, não permite que apareça no tela o tempo real que falta para o fim de uma partida.  Tanto é verdade que nos jogos de basquete e futsal, onde o tempo de jogo é do conhecimento de todos, ninguém discute a existência de acréscimo ou de desconto de tempo.

O que de fato ocorre é que o árbitro utiliza dois cronômetros simultaneamente: um trabalhando de forma ininterrupta e outro sendo pausado, a cada parada significativa no jogo.  Como a decisão de quando parar e quando retomar a contagem do tempo é exclusiva do árbitro, os jornalistas esportivos ficavam na mais completa ignorância com relação à contagem real do tempo.
Reconhecendo a importância da mídia na divulgação do jogo de bola, a FIFA resolveu dar uma colher de chá aos jornalistas e fez com que fosse mostrado, em uma placa na beira do gramado, o total de minutos que a bola deixou de rolar, isto é: o período que ainda faltava para completar o tempo real de jogo.

O GATO DE SCHRÖDINGER.

Mas o que faz o árbitro ao parar o cronômetro quando o jogo é interrompido?  Ele desconta o período não jogado, no exato momento em que a interrupção acontece.  E os períodos a serem descontados vão se acumulando, à medida que as interrupções se sucedem.
Quando o cronômetro que trabalha sem interrupções acusa o tempo de 90 minutos que a regra manda, o árbitro confere a perda de tempo acumulada no segundo cronômetro e raciocina: "Não são noventa minutos exatos, porque tenho que descontar o tempo não jogado". Então, subtrai o tempo perdido e procede a compensação.

Para o observador distante, tal compensação é tomada como acréscimo de tempo - o que é, ao mesmo tempo, verdadeiro e falso, numa analogia ao gato de Schrödinger que está vivo e morto. Em verdade, com o uso de um cronômetro minimamente preciso, é possível comprovar que o jogo transcorreu por tempo superior a noventa minutos; entretanto, segundo as leis que regem o futebol, a duração de uma partida (sem prorrogação) é de noventa minutos, exatos.  Nem mais nem menos.

SÓ PARA PODER DIZER "TÁ VENDO, EU AVISEI!".


UM PROFETA MEIA-BOCA.

Todos os anos, quando o Brasileirão se aproximava do final, ouvia-se o grito dos torcedores pelos estádio:  "Entrega... Entrega..."  Fui aos blogs do Garamboni e do Noriega (à época aceitavam comentários de leitores) e cravei a solução. Botem os clássicos regionais no final do campeonato.  Assim, se um "inimigo" quiser rebaixar o outro, o fará dentro das regras do jogo e dos princípios éticos.  Alguém, leu, assumiu a autoria da ideia e o Campeonato Brasileiro foi disputado, durante certo tempo, decentemente, como se fosse campeonato de país da Europa.

Clubes grandes começaram a cair em profusão, às vezes, dois grandes no mesmo campeonato, então cantei novamente a pedra. "Os dirigentes não demoram a acabar com esta lisura, porque, no Brasil, toda ação que dificulta maracutaia tem prazo de validade curto".  
Assim, logo estavam Fluminense e Flamengo jogando as rodadas finais contra a Portuguesa e possibilitando, segundo o Promotor de Justiça de São Paulo, que o dirigente do time menor vendesse o rebaixamento de seu clube
E os gritos "Entrega... Entrega..." voltaram aos estádios.

FUTSAL X FUTEBOL.

Quando vi o Barcelona destroçar a retranca do Murici Ramalho e, consequentemente, o Santos Futebol Clube, a imagem que me veio à cabeça é que o Santos tinha tentado jogar futebol, enquanto o Barcelona jogou futsal no campo de futebol. A troca de passes, os deslocamentos, a pressão para retomada da bola, praticados pelos catalães, eram próprios de jogo de futsal e estranhas ao jogo de futebol.  Publiquei a observação em alguns sites da Globo e logo a internet repetia a minha frase com dezenas de "autores" diferentes, incluindo alguns profissionais de jornalismo.
Foi por isso que resolvi criar este blog.  Quem quiser continuar "roubando" minhas ideias poderá fazê-lo, mas ficará registrado quem é o verdadeiro "pai da criança".

ESSA BOLA FUI EU QUEM CHUTOU.

No dia 12 de fevereiro de 2016, o torcedor lamuriante do Santos - aquele que tem a maior bronca da Rede Globo - estava eufórico.  O Peixe havia roído o cabresto da platinada e assinado com o EI.  A atitude é, de fato, corajosa; mas, se não estiver acompanhada de um plano para controlar o fluir dos acontecimentos, poderá rolar do âmbito da audácia para o brejo da inconsequência.
Essa bola (o rompimento com a Globo) fui eu quem chutou; mas não chutei de bico, com olhos fechados, toquei com efeito, colocada no ângulo, onde a "coruja dormia", no tempo em que coruja dormia nos estádios.

A ideia completa, GERAR A IMAGEM E VENDER O PRODUTO PRONTO, para emissoras de TV abertas ou fechadas, como se faz na Fórmula-1, está registrada na minha "postagem" do dia 06 de setembro de 2015 e inclui a aquisição de câmaras de TV para geração de imagens e canal próprio de TV por assinatura. Afinal, não adianta roer o cabresto do opressor rico e entregar-se, voluntariamente, ao cabresto do opressor pobre?

É muito alto o investimento?  Não.  O que o Santos pagou por 50% do passe do zagueiro Luís Felipe daria para comprar 200 filmadoras profissionais de TV de boa marca.

A PROFECIA MAIS RECENTE.

Esta semana vi o Rosário Central da Argentina jogar.  Qualidade individual dos jogadores à parte, os argentinos fazem em campo exatamente o que fazem os times dirigidos por Pepe Guardiola: manutenção da posse de bola, deslocamentos constantes, compactação e pressão para a retomada rápida da bola perdida.  Algumas vezes há três, quatro, jogadores do Rosário, acossando um único adversário, até que a bola seja recuperada.  No Rosário Central, como no Barcelona e no Bayern de Munique quase todos os jogadores estão onde a bola está.

A briga incessante pela posse de bola aniquilará o artista e a arte do jogo de futebol.  Se algum dia tivermos um jogo entre Barcelona e Rosário Central, ou entre equipes que optaram por esta maneira esquisita de jogar, teremos algo parecido com futebol de cachorros de circo ou, se não tanto, com as partidas de rúgbi e futebol americano.  Como a tendência é que o mundo todo copie a "moderna" forma de atuar do Barcelona, a FIFA será obrigada a criar novas regras para proteger a beleza do jogo.  Diminuição do número de jogadores em campo e a marcação de falta, quando um jogador for atacado por mais de um adversário, estarão em pauta.




AI DE TI, SEM A GAVIÕES!



SE DEPENDESSE DE CONQUISTAS...


Se perguntarem a um dirigente de clube de futebol qual o fator que mais contribui para o crescimento do número de torcedores, ele responderá que são as conquistas.

Não vou dizer que conquistas não são importantes, afinal todo torcedor fica feliz quando seu time levanta a taça, mas com relação ao agregamento de novos torcedores, vitórias não tem a importância que muitos atribuem.  Prova disto é que os dois times de maiores torcidas do pais tem históricos de conquistas muito diferentes.

O Flamengo sempre foi clube vencedor.  Em 1955 tinha um time praticamente imbatível, que seria tri-campeão carioca e cederia todo o seu ataque para a seleção brasileira.
Já o Corinthians, passou mais de duas décadas sem um título paulista e foi o último dos grandes clubes do Brasil a conquistar um título nacional. Apesar disso a torcida corintiana não parou de crescer.  Cresceu em meio a zombarias, humilhações e até a choradeiras e quebra-quebra no rebaixamento para a segunda divisão em 2007.
Se tivesse dependido de conquistas para atrair simpatizantes, o Corinthians seria clube sem torcida.

À PROCURA DOS SEUS PARES.

Um dos fatores que levam alguém a torcer por um clube de futebol é a identificação que o indivíduo crê que exista entre ele e o clube. 

Alguns tipos de identificação indivíduo / clube são:

1) Identificação territorial.  Ex: Joel é maranhense e torce para o Sampaio Correa 
2) Identificação com os fundadores:  Ex: Paolo é filho de italianos, por isso torce para o Palmeiras.
3) Identificação com o status: Ex: Antônio acredita que, por ser pobre, tem que torcer para o Flamengo.
4) Identificação por influência de terceiros: Ex: Foi meu padrinho, gremista, que deu de presente minha primeira camisa do Grêmio.

A OUTRA LEI DE NEWTON

Nenhum fator, porém, é tão importante, quanto se trata de atrair novos torcedores, do que a própria da torcida do clube.
Se Isaac Newton tivesse estudado o comportamento do torcedor de futebol teria estabelecido a lei: "Torcida atrai torcida, na razão direta das massas".  E isto é muito fácil de ser comprovado.  A existência da Gaviões da Fiel explica por si só, o porquê da torcida do Corinthians não parar de crescer, apesar dos muitos vexames.


De fato, a humanidade é feita de um pouco de indivíduos pensantes e uma infinidade de pessoas influenciáveis, a procura de um líder quem lhes ordene o que fazer.  E há os imitadores irracionais, como os se tatuam ou a enfiam penduricalhos no umbigo, nos mamilos, nas narinas, nas sobrancelhas. Tem neguin, branquin e amarelin tão influenciável que, se for assistir a parada gay, já volta dando o rabo pelo caminho.






domingo, 6 de setembro de 2015

SANTOS, DO PESADELO AO DELÍRIO







1 - NO SANTOS SÓ OS ROMAS SÃO ETERNOS.

Por mais simpatia que você possa ter pelo glorioso clube da Vila Belmiro, não dá para ignorar que o Santos entrou numa vigorosa espiral descendente, rumo ao buraco negro.  
Segundo as últimas estatísticas, há no país cerca de cinco milhões de torcedores do Santos, menos que alguns clubes de relevância predominantemente regional, como Atlético-MG e Grêmio.  E a torcida diminui, ano após ano.  A maior parte dos torcedores do Peixe é de remanescentes da época em que o time representava e orgulhava os brasileiros nas competições internacionais. Mas, pessoas não são eternas.

O hino oficial do Santos, criado em 1957 por Carlos Henrique Roma, tem dois versos bastante significativos: "Nascer, viver e no Santos morrer / É um orgulho que nem todos podem ter".  Já naquela época o autor do hino alertava que a torcida do Santos era restrita e que o torcedor santista morria.  E cadê a geração de novos santistas para substituir os que se vão?


2 - ENXERGANDO O PRÓPRIO UMBIGO.

Sempre que visito o site de algum torcedor santista, leio lamúrias e xingamentos contra a Rede Globo.  Tem até gente propondo boicote à emissora.  Amigo, se tem duas coisas que aprendi nesta minha estada na terra, é que país nenhum boicota os Estados Unidos e telespectador nenhum boicota a Globo.  Se você não assiste ao programa do Faustão, vai assistir a que?  Ao Gugu, à Eliana.  Fala sério!

O Santos tem é que olhar no seu entorno, entender sua pequena representatividade dentro do contexto atual e traçar plano de recuperação e desenvolvimento.
Tem que deixar de acreditar que a Rede Globo é ONG da Irmã Dulce, pronta para acudir católicos e protestantes, e enxergá-la como empresa com fins lucrativos. Tem que entender que a receita da Globo é oriunda das propagandas que põe no ar e que o valor das propagandas está diretamente relacionado à audiência do evento transmitido

Em circunstâncias normais, será sempre mais interessante ao departamento comercial da Globo exibir um jogo do Corinthians ou do Flamengo (clubes de grandes torcidas), do que exibir um jogo do Santos.
Em suma:  A rede Globo não é nem pode ser vista como o diabo; a Globo é, simplesmente, empresa voltada para a obtenção de lucro - o que as vezes é muito pior do que o diabo.



3- A BUNDONA E OS PEITÕES DA MOÇA DO FUNK

Imagine que os 20 clubes que compõem a Série A do campeonato Brasileiro formem um todo e que o todo possa ser representado pela figura de uma gostosa dançarina de Funk.  Imaginou?  É exatamente assim que a Rede Globo vê os clubes do Brasil.  O Corinthians é o bundão solto ao vento, o Flamengo é o par de peitos siliconados. Os demais clubes são canela, cotovelo, calcanhar.  Estão ali para compor o todo; mas não são capazes de atrair olhares.
Agora, magine que a tal dançarina use aparelho nos dentes... Sabe o representaria o Santos nesta gostosa imaginária?  O aparelho.
A Globo nunca vai botar no ar o aparelho de dentes da moça que tem peitos enormes e bunda avantajada.


4 - BRINCANDO DE ESCONDE-ESCONDE

Não interessa nem um pouco à Rede Globo passar jogos do Santos aos domingos, em rede nacional; mas interessa que jogos do Santos não sejam exibidos por emissoras concorrentes.
Os homens da Globo sabem que o Peixe tem o mando de campo sobre 19 dos 38 jogos que disputa no Brasileirão e que dez dos dezenove jogos sob seu domínio são contra times tradicionais (incluindo peitos e bunda da dançarina de Funk)
Os especialistas em negócios da Globo sabem, também, que os times de maiores torcidas são, exatamente os que apresentam maior percentual de rejeição. Têm absoluta certeza de que, se estiver passando jogo do Corinthians na Globo e jogo do Santos na emissora concorrente, os torcedores anti-Corinthians estarão todos assistindo ao jogo do Santos.

Para efeito de exemplo, imagine o jogo Santos x Grêmio na Rede Record, enquanto a Globo exibe um jogo do Flamengo.  Qual partida você acredita que estará sendo vista pelos torcedores de Vasco, Fluminense, São Paulo?  Acrescente ao bando de renegados seis porcento de audiência dos que torcem para Grêmio ou Santos, mais outros seis porcento de seguidores de Edir Macedo.
Os globais vão ficar babando de raiva, camarada.

É por isto que, quando se trata de disputa de audiência o pessoal da Globo joga sujo pra caramba.  Se vê algum ídolo emergente em outra emissora, corre para contratar o cabra.  Contrata e esconde, como aconteceu com Otaviano, Marcos Mion e tantos outros.
O Santos e os outros times de pequena torcida, são os "otavianos" do futebol, esquecidos nos porões da Globo.  Foram contratados apenas para evitar que virassem atrações de sucesso nas emissoras concorrentes.


5 -  CHAMANDO A GLOBO PRA PORRADA.

Há um corolário, muito usado pelos experts em neurolinguística: "Quem faz sempre a mesma coisa obtém, sempre, o mesmo resultado".  O Santos até hoje fez sempre a mesma coisa: assumiu despesas maiores do que as receitas disponíveis, recorreu a antecipação dos direitos de televisionamento dos jogos, tomou empréstimo bancário dando como garantia pagamentos futuros a serem feitos pela Rede Globo.  E foi com esse conjunto de ações alopradas que, ano após ano, viu a vaca caminhar para o atoleiro.

O Santos precisa, urgentemente, romper o contrato com a Rede Globo e buscar parceria com emissora de TV que se comprometa a transmitir os jogos do clube.  Se tiver que ir pra justiça, que assim seja.  Aciona a "poderosa" por abuso de poder econômico, pois compra o evento apenas para não permitir que os concorrentes comprem. Processa os caras por danos morais e materiais, porque a falta de exposição afugenta patrocínio e inviabiliza a atração de novos torcedores. Em último caso, alega que eles bateram na mãe do presidente do Santos com taco de beisebol. Eu sou testemunha.


6 - DELIRAR CUSTA POUCO.

Divorciado da Globo e senhor do próprio destino, o Santos poderá criar o canal por assinatura TV SANTÁSTICO  e vender para torcedores de todo o Brasil.  Se 3 milhões de santistas pagarem 10 reais por mês para saber das coisas do Santos, criar-se-á a renda de 30 milhões por mês, que livrará o Clube da miséria.
E tem mais, o pessoal da Globo é estritamente profissional. Emissoras da rede, como SporTV e os canais Premiere vão querer comprar jogos do Santos, se isto lhe parecer lucrativo.  Então vendam para eles, sim.  Para eles, para o Esporte Interativo, para o Fox, para a Band Sport, para quem aparecer com dinheiro.

Se tiver peito para roer o cabresto que a Globo impôs, o Santos não só poderá pastar livremente pelos campos do mundo, como (Quem sabe?) poderá até voar como um Pégasos.  Sonhar não custa nada.  Delirar custa muito pouco.


sábado, 5 de setembro de 2015

2005 - A FARSA DO JUIZ LADRÃO Parte 2



(OBRA DE FICÇÃO BASEADA EM REALIDADE INCOMPREENSÍVEL)


E naquele tempo, como a vaca caminhasse para o brejo, o cidadão iraniano da MSI provavelmente tenha convocado um grupo de brasileiros com doutos saberes em sacanagem, como esses que criam novos impostos inconstitucionais e bolam os esquemas de propinas.  O objetivo do grupo de estudo seria: encontrar um meio de dar novamente ao Corinthians chances de ser campeão de uma disputa, cujo título já pertencia, virtualmente, ao Internacional.

A ideia de melar o campeonato e começar tudo de novo foi abandonada, porque o ano estava acabando e não haveria tantas datas disponíveis; mas era possível anular apenas algumas partidas, escolhidas a dedo.  Usariam o próprio regulamento da CBF para viabilizar a mutreta, alegando que houvera manipulação de resultados em jogos em que o Corinthians perdeu pontos..

O passo seguinte seria identificar um árbitro com problemas éticos e financeiros, disposto a aceitar uma boa grana, para assumir um crime que não cometera.  Um investigador e uma pseudo-investigação de loterias clandestinas, das quais ninguém nunca ouvira falar, montaria o restante do cenário.

Edílson Pereira de Carvalho, o árbitro escolhido para o serviço sujo, faria a confissão pública de que manipulara resultados da partida em que o Santos venceu o Corinthians por 4 a 2 e da partida em que o São Paulo venceu o Corinthians por 3 a 2; mas por ser atrapalhado genético, ou por não ter decorado direito o script, declarou aos repórteres que "tinha sido contratado para ajudar o Corinthians a vencer, mas que não conseguiu".

Ora, em qualquer tribunal do mundo, o árbitro Adilson Carvalho seria considerado testemunha não confiável.  Um enganador, um falsário, um grande mentiroso e caberia a pergunta:
Se ele confessa ter agido desonestamente antes, quem garante que age honestamente, agora, quando afirma ter cometido o "crime"?
Mas, este raciocínio parecia não interessar a ninguém.

O regulamento da competição deixava claro que apenas dizer que houve manipulação não bastava, para que um jogo fosse anulado e remarcado a interferência tinha que ser, de fato, comprovada.

A CBF convocou, então, um grupo de notáveis para buscar no vídeo-tape indícios de que o "juiz ladrão" manipulara o resultado dos jogos.  Mas, que indícios de manipulação estariam procurando, se Edílson afirmou, claramente, que tentou ajudar o Corinthians a vencer; mas não conseguiu?
Aliás, manipulação de resultado seria basear-se nas declarações de alguém sem credibilidade para anular, especificamente, jogos em que o Corinthians não fez nenhum ponto.

Por uma dessas coincidências que nunca ocorrem na vida do pobre, o mais notável entre os notáveis que iriam procurar chifres em cabeça de lebre era Arnaldo César Coelho, árbitro de final de Copa do Mundo e, pasmem, funcionário da rede de TV que detinha o direito de transmissão dos jogos.  Mais do que isso, Arnaldo é proprietário da TV Rio-Sul, que retransmite a programação da Globo e que seria beneficiada com a anulação.

 O conflito de interesses era evidente.  Por outro lado, é possível interpretar que, neste caso, os interesses não eram conflitantes; eram convergentes.  Todos ganhariam com a remarcação dos clássicos paulistas.  O Corinthians teria chance de recuperar os pontos perdidos; a MSI continuaria usado a vitrine do parceiro, para expor seus atletas, agora em jogos valendo título;  A Globo seria beneficiária da promoção pague dois jogos e leve quatro; Arnaldo ganharia em dobro: como comentarista dos jogos remarcados e como proprietário da TV Rio Sul, afiliada da Globo.

Os jogos foram anulados e o Corinthians que, repito, havia feito zero ponto nas duas partidas, jogaria contra adversários já de férias e sem nenhum objetivo ou motivação.  E teve alguém que movesse uma palha para tentar enxergar sinais de maracutaia?  Ninguém, meu camarada.  Para o azar do Inter de Porto Alegre, em 2005 até o presidente do Brasil era corintiano.

Para finalizar a história, o Corinthians amealhou mais quatro pontos na tabela de classificação, ultrapassou o Internacional e lhe tomou o título do Campeonato Brasileiro de 2005.

Tempos depois viria à tona que a MSI, parceira que emprestava jogadores ao Corinthians, pertencia a um dos chefões da máfia russa.   Mas isto não quer dizer nada.  Ou quer?...